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Mostrando postagens de Setembro, 2009

Canções de Minha Vida: Comfortably Numb

02/07/2005: Pink Floyd no Live 8, 24 anos depois, pela última vez.

“Você tem que ouvir é rock, seu porra!”. Sábio amigo Alan Freitas. Indignado com minha obsessão pelo reggae, foi praticamente um missionário fundamentalista; insistiu tanto que conseguiu reverter a minha ‘hippiezação’ (nada contra, é claro!). Era 1997, e só um pouco de suas ofertas foram bem aceitas. Recordo que uma das mais rechaçadas foi o tal do Pink Floyd. Absorvido pelo pop punk dos Ramones, eu estava há anos luz da psicodelia.

Mas Alan foi persistente, e percebendo qu’eu tinha um fascínio por solos de guitarra, não tardaria por abismar-me pelo genial David Gilmour. E com a ‘descoberta do mundo’ provocada pelo Led Zeppelin, principalmente por Jimmy Page, a semente do caos estava germinando. Tanto que, no ano seguinte, 1998, já obcecado por ter uma banda, ganhei de presente de meu pai uma Les Paul genérica, da Epiphone, que batizei de ‘Lílian’. Coitada. Sempre foi o entulho de cima de meu armário; nunca tive dedo s…

Canções de Minha Vida: Since I’ve Been Loving You

Led Zeppelin (1973)
Comecei a ouvir rock em 1997. Até então, em casa, por conta de minha mãe professora de música, o que eu ouvia era essencialmente bossa nova e MPB, além de forró gonzaguiano nas épocas juninas e músicas antigas (meus pais foram jovens dos anos 50). De resto, muita pop music vinda das rádios Transamérica e Globo FM. E o surto pelo reggae em 1996.

Mas aí, um amigo do meu prédio, que também estudava no mesmo Colégio PhD, chamado Alan Freitas, ficou indignado com minha obsessão pelo ritmo jamaicano e pôs-se em uma cruzada pela via sacra do rock’n’roll. Além de ter me ensinado a tocar violão, foi me empurrando uma porrada de banda de metal (principalmente Metallica), punk hardcore e Pink Floyd, que odiei profundamente quando ouvi pela 1ª vez - quem diria, né? Dessa leva, o que impactou mesmo foi o Ramones. Aos 16 anos, foi identificação imediata. Gravei altas fitas K7, e curti, com a galera do Alan na Albani (ao lado do colégio), em muitos intervalos, o louco do loiro Ál…

Álbuns de Minha Vida: Tidal, de Fiona Apple

Tidal - Fiona Apple (1996)

Em 1997, a MTV me apresentou a cantora, compositora e pianista norte-americana Fiona Apple, através do videoclipe da música Criminal. Recordo-me que achei muito interessante o timbre de voz da esquisita talentosa esquálida linda, e fui pesquisar o som dela naquela cultuada loja de CD (que tinha ‘tudo’, antes da Flashpoint – esqueci o nome!). PS - Leia aqui o verbete wikipedia dela.

Descobri então um discaço chamado Tidal, lançado em 1996, considerado pela revista Rolling Stone um dos álbuns essenciais dos anos 90. Sombrio, profundo, climático, com pegada jazz, ‘pianado’, muito bem produzido, de fato trata-se de uma pérola, atemporal, uma obra prima que pariu uma cantora escrota, de timbragem ácida e muito teatral. Bem do jeito qu’eu gosto!

São dez faixas, dentre as quais destaco a linda Never is a Promise. Na boa, cada um tem a balada que merece, e essa é a minha predileta. Fica a dica para comprar ou baixar o Tidal, colocá-lo à noite, a dois, na ambiência cool…

Canções de Minha Vida: Natural Mystic

Bob Marley & The Wailers
Bob Marley & The Wailersfoi o primeiro grupo que de fato fui fã. Costumava colocar o rádio no banheiro pra tomar banho curtindo um som. Era 1995, tinha 14 anos, e a promo da coletânea Legend 2 pôs Iron Lion Zion pra tocar na Transamérica FM, eu acho. Bastou alguns segundos da canção pra que eu pirasse no banho; dancei freneticamente, quase em transe mamulengo. Experiência esquisita, coisa de doido. Quando o locutor anunciou Bob Marley, iniciei uma obsessiva compulsão; passei a pesquisar, na medida do possível (o PC só chegou seis anos depois em minha casa), tudo que estivesse relacionado ao imortal rei do reggae. E o caro amigo Jackson Rogério gravou uma fita K7 com algumas músicas da coletânea Legend.

Essa fita resistiu bravamente. Tocava o dia inteiro, seja no rádio ou no walkman, e o ano de 1996 foi o mais autista de todos. Com 15 anos, batizei-me de Besouro Marley, e só ouvia Bob Marley & The Wailers o tempo inteiro, às vezes outros ícones do r…

Destaque: Ellen Oléria

foto: Savia Gabi

Quem me apresentou o som da Ellen Oléria foi o Mário Sartorello, meu chefe na Educadora FM. Pirei no som, vozeirão firme, groove redondinho, dançante, em boas canções. Produzi então um Especial das Seis com o álbum Peça, primeiro da cantora, compositora e instrumentista brasiliense, que irá ao ar pela rádio nesta quinta 24, 18h. Mas antes, você curte por aqui alguns vídeos dessa promissora artista da black music, grata revelação lá do Distrito Federal, desde já na minha lista dos melhores do ano. Confira aqui o Myspace dela.

Ellen Oléria - Testando



Ellen Oléria - Brado



Ellen Oléria é de Brasília e começou profissionalmente em 2000, na banda N’Razões, focada na black music. Dois anos depois, deu início à carreira solo, somando à sonoridade Black, outros elementos da MPB, sempre com muito swing e um carisma contagiante. Dona de uma voz poderosa, que transita bem entre o canto melódico e o discurso do hiphop, Ellen Oléria lançou, em junho de 2009, Peça, seu primeiro CD, quas…

Pílulas: Recordações de andar exausto, de Mayrant Gallo

Mayrant Gallo (foto: Ricardo Prado - interferida por Mirdad)

Mayrant Gallo é um dos escritores que mais admiro. Mais que isso, é um crânio soberbo, pensador e pesquisador das artes, um tera-HD repleto de cultura e memória. E a cada instante que a roda da vida permite um encontro, usufruo ao máximo, um confesso e declarado humilde discípulo. Sou grato à sorte por ter acesso a esses gênios de fato. E não são poucos. Queria poder uni-los, a pensar e gargalhar sobre essa existência tão escorregadia.

Abaixo, seguem as pílulas do livro de poemas Recordações de Andar Exausto (Aboio Livre/2005), de Mayrant Gallo.


"O lado vazio da cama
É a presença humana
Que mais atemoriza"

(pg. 78)

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"queremos certeza
e o que temos são estrelas
por sobre a cabeça"

(pg. 71)

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"Todos meus poemas
Não mais me pertencem.
São de quem os sente"

(pg. 37)

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"A memória falta. E que falte.
É uma sorte. Minha, sua,
De todos. E que um dia
Cheguemos a desconhecer
Uns aos outr…

Perambulando #09 - Mou Brasil

Mou Brasil - Farol



Perambulando é uma seção deste blog destinada a expôr os vídeos que irei registrar nas andarilhadas por aí.

Nesta edição, destaco o show Farol, do genial guitarrista e compositor baiano Mou Brasil, que rolou ontem, 15.09.09, no Teatro SESI, Rio Vermelho, em Salvador-BA. Quero, de antemão, agradecer à Cláudia Cunha pela dica preciosa deste show, que pra mim foi uma surpresa, não estava sabendo. É claro que, como apreciador de boa música que sou, desmarquei tudo pra ir a essa reunião de gênios da música instrumental baiana. E por inacreditáveis $ 10 e $ 5!!! E ainda tem gente que reclama que aqui não acontece nada. Rebando de imbecis!

Pois o dream team de músicos que eternizou cada nota daquele palco de ontem foi formado nada menos por: na cozinha, Ldson Galter (baixo), Orlandinho (percussão) e Vitor Brasil (bateria); na harmonia, Marcelo Galter (piano) e Rowney Scott (sax); convidados, Letieres Leite (sax), Jélber Oliveira (sanfona) e Manuela Rodrigues (voz instrument…

Semanaça: Mou, BNegão, Roberto & Tiganá e Cascadura

Aí, moçada, essa semana promete, ein? E já começa amanhã: show imperdível de Mou Brasil no Teatro SESI, 20h. Confiram abaixo as demais atrações:

Terça (15/09) - Mou Brasil

O quê: Mou Brasil no show Farol
Horário: 20h
Onde: Teatro do Sesi - Rio Vermelho
Quanto: R$ 10 e R$ 5
Participações Especiais: Jélber Oliveira e Manuela Rodrigues
Info: 3535-3020


Quinta (17/09) - BNegão & MiniStereo Público


O quê: BNegão Sound System & ministereopublico – sistema de som
Horário: 21h
Onde: Zauber Multicultura (Ladeira da Misericórdia, 11, Praça da Sé)
Quanto: R$ 15 (masculino) e R$ 10 (feminino)
Promoção: Skol e Roska dobrada até 23h
Info: 3326-2964 / 8894-1381


Sexta (18/09) - Roberto Mendes & Tiganá


O quê: Roberto Mendes & Tiganá Santana no show Vozes no Espelho
Horário: 20h
Ingresso: R$ 10 e R$ 5
Local: Teatro do Sesi - Rio Vermelho
Info: 3535-3020


Sábado (19/09) - Cascadura


O quê: Cascadura no show Aquecimento Efeito Bogary
Horário: 23h
Onde: Groove Bar (Rua Marques de Leão, 351A – Barra)
Quanto: R$ 25 (ma…

Vício: Dery - Salif Keita

Salif Keita

Quando estava produzindo o Especial de Sábado – Nouvelles Musiques de France, alguns meses atrás, conheci uma música do genial Salif Keita, chamada Dery, faixa 04 do álbum M'Bemba (2005). Desde então, faz parte do meu playlist e é o meu coringa quando estou abafado no trabalho. Esquentei a cabeça, vou no arquivo e busco Dery. Que toca no mínimo três vezes, desanuviando tudo, me imergindo de um deserto áfrico que desconheço, só sugiro. E essa sugestão me acalma e estimula a criatividade. É quando me sinto mais Elmir. Dery é a minha meota sonora.

Segundo a Wikipedia, “Salif Keita, nascido a 25 de Agosto de 1949, é um músico e cantor de Mali. Ele é único, não só devido a sua reputação de ‘A Voz Dourada de África’, como também pelo fato de ser albino e um descendente direto do fundador do Império Mali, Sundiata Keita. Esta herança significa que Salif Keita nunca deveria ser um cantor, que é uma função desempenhada por Griots. A sua música é uma mistura de estilos de música t…

Perda: Ramiro Musotto

Ramiro Musotto

Silenciados os berimbaus da Bahia. Na madrugada de hoje, a tão mundialmente cultuada percussão baiana calou-se. O corpo findou o mestre Ramiro Musotto. E que se faça uma sonora reverência silenciosa ao hermano baiano. É mais um bom que vai embora cedo demais. Aos 45 desse tempo medíocre, a cultura perde um célebre cérebro coração essencialmente musical. Condolências à família e amigos. Que se faça o silêncio, em respeito.

Leia aqui, por Luciano Matos, e aqui, matéria por A Tarde Online.

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Vício: Wilson Dias

Wilson Dias

Neste dia 'novado', destaco o trabalho do cantor, compositor e violeiro Wilson Dias, mineiro de Olhos D’Água (Vale do Jequitinhonha), e o meu vício na música Canção de Siruiz, faixa 07 do álbum Picuá, de 2008. Segundo consta no encarte do CD, o Wilson explica sua composição em cima de obra de domínio público, registrada pelo genial João Guimarães Rosa: “Lendo Grande Sertão: Veredas, lembrei-me de uma melodia que surgiu quando fazia minhas caminhadas. Deparei-me com o texto, peguei a viola e cantei a canção do início ao fim”.

Wilson Dias - Canção de Siruiz



Canção de Siruiz
(Domínio Público-João Guimarães Rosa / Wilson Dias)

Urubu é vila alta
Mais idosa do sertão

Padroeira minha vida
Vim de lá, volto mais não

Corro os dias nesses verdes
Meu boi mocho baetão

Buriti, água azulada
Carnaúba, sal do chão

Remanso de rio largo
Viola da solidão

Quando vou pra dar batalha
Convido meu coração


Além de Canção de Suruiz, que tem um solo ‘entupiu tudo’ (expressão cunhada pelo percussionista figura…

Vício: Nada Disso é Pra Você Querer

Romulo Fróes - Nada Disso é Pra Você Querer

Conheci essa canção por conta da produção do Especial das Seis com o novo CD da Mariana Aydar, Peixes Pássaros Pessoas. Ela gravou a canção de Romulo Fróes e Clima, em um arranjo meio indie climático mudernoso. Confesso que não me impressionou muito, mas quando o Romulo veio aqui em Salvador e tocou-a voz e violão lá na Midialouca, percebi a força dessa grande canção, tanto que a gravei e postei aqui no Perambulando #06.

E, percorrendo a rede, descobri essa gravação acima do projeto massa Música de Bolso. Nada Disso é Pra Você Querer é um grande samba, melodia de primeira, que merece uma versão pomposa, com metais e divas, pra ser trilha de abertura de novela e firmar no povo essa nova safra de compositores de mãos cheias da nossa música.

Nada Disso é Pra Você Querer
(Romulo Froés / Clima)

Pra começar,
Vai acabar, eu vou dizer
Vai acabar, vai machucar
Vai clarear a cabeça

Você
Não vê que eu
Nasci aqui da minha voz?
De todos nós, e todos nós
Do mesmo pó d…

Vício: Carolina Diz

Carolina Diz

Vou continuar expondo meus vícios musicais por aqui. Descobri a banda Carolina Diz, de Minas Gerais, em abril desse ano, quando estava produzindo o programa Panorama Brasil - MG. Fiquei viciado na canção hit-grude-hard Mariana, que você pode conferir no vídeo logo abaixo ou aqui. Daí, fui fuçar e encontrei aqui os dois CDs deles disponíveis para download (ouvir tb), Se Perder (2003) e Crônicas do Amanhecer (2008). Baixei ambos e particularmente não curti muito o primeiro, mas o segundo é bem legal, e tem duas músicas muito fodas. O vocalista canta bem, dosado na medida do som da banda, sem os excessos insuportáveis das vozes masculinas do rock de hoje.

A cópia que fiz, estragou, não toca mais. Desde abril que está no meu playlist, e foi a trilha perfeita pra impulsionar as lágrimas da fossa que passei. Os tempos ruins passaram, mas as duas músicas não. É uma prova da excelência das canções de César Gilcevi, poeta facão e batera/letrista da banda. Elas estão aí, fodas, ultra…

Vício: Tardes Noites & Dias

Esso

Estou viciado em uma canção do compositor e cantor Esso, natural do RN, que se chama Tardes Noites & Dias, que faz parte do álbum Bossta Nova (2007). Ouço no mínimo quatro vezes quando ela passa no meu playlist. Se quiser, ouça aqui. A letra segue abaixo. Destaco: "me vens tão cansado com a mão enrugada de viagens tão distantes por sobre o vazio".

tardes noites & dias
(esso)

saímos soturnos no escuro da noite
caindo poeira, vertendo histórias
mas é tão tarde, tão tarde da noite
no mesmo lugar dess’euforia lenta
canções dispersas, tantos dispersos
que eu possa cantar, trazer-nos aqui
vem, se distraia com algo estranho
lhe beba a leveza, lhe dança a tristeza

vem a madrugada densa, leve e fria
iluminando o corpo de sombras e sonhos
horas lancinantes em becos, ruas, cidades
monstros que devoram a vontade de ficar
mas sozinho vai andar de hoje em diante
procurando curar seus ferimentos de batalhas
e outros sem lugar

mas é tão cedo, tão cedo e cortante
retirando as cordas do violão notur…

Beirut é pão farofa

Invasão do palco do TCA no show do Beirut

Ontem eu fui pro show sobrenatural de Tiganá Santana e Roberto Mendes. Um pouco antes de começar, uma pessoa querida enviou uma SMS: "Pq vc n veio p o show de Beirut mesmo?". Menti: "Quando fui comprar, acabou". Confesso que fiquei um pouco intimidado com o mesmo, já que por conta de minha profissão de produtor e articulador, preciso estar presente em "eventos", praticando o 'miszãceni'. Mas não fui comprar e não me mobilizei em momento algum pra isso. Não conheço o trabalho do Beirut, só superficialmente, porque a parceira de trampo Bárbara Lisiak produziu um Especial das Seis com eles, e eu ouvi ao longe algumas músicas. Talvez se tivesse sido um fiasco a venda dos ingressos, eu comprasse só pra ajudar o evento.

Mas voltando ao que interessa, essa mesma pessoa querida me ligou um pouco depois das 23h, pra relatar que tinha sido um vexame o show, principalmente por conta do que vocês podem ver acima no v…