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Mostrando postagens de Abril, 2011

Pílulas: Ferreira Gullar

interferência: Mirdad


Vejo Ferreira Gullar e me lembro de meu pai; cara de carranca e cabelos grandes, magro, filopoeta e contestador. São contemporâneos de nascimento, dos longínquos anos 30; nos 80 anos do poeta maranhense, estive presente na inesquecível mesa festa dedicada a ele na Flip 2010, e a poucos metros do futucador José Ribamar, só pude lembrar-me do sergipano Ildegardo, que fará 80 logo mais em outubro.

Dentro da Noite Veloz, sabiamente recomendado ainda no colégio, apresentou-me o trabalho de Gullar, mas foi Poema Sujo que me chocou e formou meu gosto por poemas para muito além da forma e prepotência; é o jorro que importa, os enquadros que fotografam o que todo mundo vê, mas quase ninguém eterniza.

Recentemente fiz um teste; na prateleira de “poesia” da Livraria Cultura, pus-me a ler diversos poetas, e o único livro que comprei, satisfeito com o que rapidamente li, foi Em Alguma Parte Alguma, o mais recente do ilustre José Ribamar, o Ferreira Gullar. Abaixo, seguem pílulas…

Chora Guitarra

David Gilmour, o único guitarrista que me faz chorar

Chora Guitarra
Emmanuel Mirdad

O fluido rosa escorre tímpanos adentro
Dissoluto em vibrações hipnóticas
Derrete a matéria compactada pela equação
E frita as conexões, confortavelmente enigmático

Eu vou
E choro ao me desprender
Ali, do lado de fora
Há alguém que só sou quando chapo
De som e olhos cerrados

Gilmour finaliza o solo
Mas cadê o solo?
Não autorize meu pouso
Estou às avessas
De volta da volta à vida
Repleto de esperanças contra o muro

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