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Mostrando postagens de Julho, 2016

Vinte e seis poemas e vinte e nove passagens de Orides Fontela no livro Poesia completa

Orides Fontela (foto daqui)


Transposição (1969)

"salto buscando
o além
do momento"

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Helianto (1973)

"Os extremos do amor:
áridos
restos"

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Alba (1983)

"Há um caminho solitário
construído a cada passo:
não leva a lugar algum"

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Rosácea (1986)

"Nem tronco ou
caule. Nem sequer planta
– só a raiz é o fruto"

Leia aqui





Teia (1996)

"Nunca amar
o que não
vibra"

Leia aqui



Seis poemas e cinco passagens de Orides Fontela no livro Teia

Orides Fontela (foto daqui)

sem título
Orides Fontela

Nunca amar
o que não
vibra

nunca crer
no que não
canta.


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Kairós
Orides Fontela

Quando pousa
o pássaro

quando acorda
o espelho

quando amadurece
a hora.


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João
Orides Fontela

De barro
o operário
e a casa

(de barro
o nome
e a obra).

II

O pássaro-operário
madruga:

construir a
casa
construir o
canto

ganhar – construir –
o dia.

III

O pássaro
faz o seu
trabalho
e o trabalho faz
o pássaro.

IV

O duro
impuro
labor: construir-se

V

O canto é anterior
ao pássaro

a casa é anterior
ao barro

o nome é anterior
à vida.


--------


Teia
Orides Fontela

A teia, não
mágica
mas arma, armadilha

a teia, não
morta
mas sensitiva, vivente

a teia, não
arte
mas trabalho, tensa

a teia, não
virgem
mas intensamente
                   prenhe:

no
centro
a aranha espera.


--------


Fala
Orides Fontela

Falo de agrestes
pássaros         de sóis
     que não se apagam
     de inamovíveis
     pedras

     de sangue
     vivo         de estrelas
     que não cessam.

     …

Cinco poemas e seis passagens de Orides Fontela no livro Rosácea

Orides Fontela (foto daqui)

Aforismos
Orides Fontela

Matar o pássaro eterniza
o silêncio

matar a luz elimina
o limite

matar o amor instaura
a liberdade.


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CDA (Imitado)
Orides Fontela

Ó vida, triste vida!
Se eu me chamasse Aparecida
dava na mesma.


--------


Aurora
Orides Fontela

Rosa, rosas. A primeira cor.
Rosas que os cavalos
esmagam.

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Iniciação
Orides Fontela

Se vens a uma terra estranha
curva-te

se este lugar é esquisito
curva-te

se o dia é todo estranheza
submete-te

– és infinitamente mais estranho.

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Ode
Orides Fontela

Neste tudo
tudo falta

(neblina)

e nesta
falta: eis
tudo.


--------


"Nem tronco ou
caule. Nem sequer planta
– só a raiz
   é o fruto."


"Só porque
erro
encontro
o que não se
procura

só porque
erro
invento
o labirinto

(...)

só porque
erro
acerto: me
construo."


"em tudo pulsa
e penetra
o clamor
do indomesticável destino."


"Não amo
o espelho: temo-o."


"A tarde em mim se repete
num tempo irreal, decadência
obstinada…

Cinco poemas e seis passagens de Orides Fontela no livro Alba

Orides Fontela (foto daqui)

Alba
Orides Fontela

I

Entra furtivamente
a luz
surpreende o sonho inda imerso
                                   na carne.

II

Abrir os olhos.
Abri-los
como da primeira vez
– e a primeira vez
é sempre.

III

Toque
de um raio breve
e a violência das imagens
no tempo.

IV

Branco
sinal oferto
e a resposta do
sangue:
AGORA!


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Pouso (II)
Orides Fontela

Difícil para o pássaro
                       pousar
                       manso
em nossa mão – mesmo
                       aberta.

Difícil difícil
para a livre
           vida
repousar em quietude
                         limpa
                         densa

e inda mais
           difícil
– contendo o
          voo
   imprevisível –

maturar o seu canto
no alvo seio
de nosso aberto
mas opaco

silêncio.


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Murmúrio
Orides Fontela

O murmúrio não cessa. Nunca a
                                        fonte
deixará de cantar
oculta

e oculto mesmo
o canto
soterrado em cansaço
hábito e olvido

e tudo oculto sob árida

Cinco poemas e seis passagens de Orides Fontela no livro Helianto

Orides Fontela (foto daqui

Ode
Orides Fontela

E enquanto mordemos
frutos vivos
declina a tarde.

E enquanto fixamos
claros signos
flui o silêncio.

E enquanto sofremos
a hora intensa

lentamente o tempo
perde-nos.


--------


Impressões
Orides Fontela

Cimo
de palmeira rubra:
                  "vida".

Lago
de amarelo turvo:
             "tempo".

Cubo
de metal opaco:
            "Deus".


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Herança
Orides Fontela

O que o tempo descura
e que transfixa

o que o tempo transmite
e subverte

o que o tempo desmente
e mitifica.


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Claustro (II)
Orides Fontela

Antigo
jardim fechado:
águas, azulejos
            e sombra.

Macular esta paz?
               Proibido.
Só leves pensamentos
                transitam
– leves, tão
              leves
que agravam mais o silêncio.

E o jardim se aprofunda
                          espelho
verde do abismo: céu
nas águas claras

e este chão não existe
    – tudo é abismo –
e esta paz é vertigem
       – puro abismo –
e o pensamento f…

Cinco poemas e seis passagens de Orides Fontela no livro Transposição

Orides Fontela (foto daqui)

Ode I
Orides Fontela

O real? A palavra
coisa humana
humanidade
penetrou no universo e eis que me entrega
tão-somente uma rosa.


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Rota
Orides Fontela

Há um rumo intacto, uma
absoluta aridez
na ave que repousa. Nela
o repouso é a rota: não há mais
necessidade de voo.


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Notícia
Orides Fontela

Não mais sabemos do barco
mas há sempre um náufrago:
um que sobrevive
ao barco e a si mesmo
para talhar na rocha
a solidão.


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Média
Orides Fontela

Meia lua.
Meia palavra.
Meia vida.

Não basta?


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Fala
Orides Fontela

Tudo
será difícil de dizer:
a palavra real
nunca é suave.

Tudo será duro:
luz impiedosa
excessiva vivência
consciência demais do ser.

Tudo será
capaz de ferir. Será
agressivamente real.
Tão real que nos despedaça.

Não há piedade nos signos
e nem no amor: o ser
é excessivamente lúcido
e a palavra é densa e nos fere.

(Toda palavra é crueldade.)


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"salto buscando
o além
do momento."


"A saída
é a volta."


"Bendita a …

Nostalgia da lama - Vídeos - Leituras de poemas pelo autor

O escritor Emmanuel Mirdad, autor do livro Nostalgia da lama (Cousa, 2014), lê poemas selecionados de cada uma das partes da obra, em vídeos gravados por Sarah Fernandes em julho de 2016, na cidade de Salvador, Bahia.



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#01 - (P)arte

O autor lê o poema À vista, da parte (P)arte.

Veja aqui







#02 - Umbiego - Parte I

O autor lê seis poemas da parte Umbiego.

Veja aqui







#03 - Umbiego - Parte II

O autor lê seis poemas da parte Umbiego.

Veja aqui







#04 - Umbiego - Parte III

O autor lê sete poemas da parte Umbiego.

Veja aqui







#05 - Enfrascafatos - Parte I

O autor lê cinco poemas da parte Enfrascafatos.

Veja aqui







#06 - Enfrascafatos - Parte II

O autor lê seis poemas da parte Enfrascafatos.

Veja aqui







#07 - Micropatetice

O autor lê quinze micropoemas da parte Micropatetice.

Veja aqui






#08 - Superficiacidez - Parte I

O autor lê sete poemas da parte Superficiacidez.

Veja aqui







#09 - Superficiacidez - Parte II

O autor lê nove poemas da parte Superfic…

Livro Olhos abertos no escuro (2016), de Emmanuel Mirdad

Olhos abertos no escuro
(Via Litterarum, 2016)
ISBN: 978-85-81511-21-4
30 contos | 268 pg
Posfácio de Carlos Barbosa
Orelha de Victor Mascarenhas
Foto da capa: Sarah Fernandes


Olhos abertos no escuro apresenta uma constelação de personagens complexos, situações extremas, solidão, romance, ironia e prosa poética. Plural, ácido e reflexivo, contém 30 contos, que podem ser divididos em três linhagens: 1) reflexivos e poéticos; 2) sobre relações afetivas; 3) literatura policial. Para Carlos Barbosa, que assina o posfácio, são pontuados por “amor e traição, bebidas e drogas, insegurança e solidão, tédio e indignação, sarro e revolta, sexo e medo – coisas da nossa contemporaneidade difusa e obscena”. Para Victor Mascarenhas, que assina a orelha, o livro é “uma coleção de contos que apresenta uma plêiade de personagens que vagueiam por aí, levando sua escuridão particular a qualquer hora do dia e da noite, assombrando e tirando o sono dos incautos leitores”.

Em Botox, o autor faz um mergulho …

Nostalgia da lama - Ferinar e (Mo)rte - Leitura de sete poemas pelo autor

O autor Emmanuel Mirdad lê os poemas Método infalível de brochar, Memórias dos pedaços, Erupção, Casulo, Vinícius sentenciou: "É fundamental!" e 300, da parte Ferinar, e Construção, da parte (Mo)rte, do livro Nostalgia da lama (Cousa, 2014).



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Vídeo gravado em 02/07/2016, no escritório do autor na Pituba, Salvador, Bahia, Brasil.

Câmera: Sarah Fernandes

Informações sobre o livro aqui

Nostalgia da lama - Umbiego - Parte III - Leitura de sete poemas pelo autor

O autor Emmanuel Mirdad lê os poemas As máquinas jamais família, Enfado dos outros, O2, Diferenças, Átimo, Em vão e Nu, tempestade, da parte Umbiego, do livro Nostalgia da lama (Cousa, 2014).



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Vídeo gravado em 02/07/2016, no escritório do autor na Pituba, Salvador, Bahia, Brasil.

Câmera: Sarah Fernandes

Informações sobre o livro aqui

Nostalgia da lama - Enfrascafatos - Parte II - Leitura de seis poemas pelo autor

O autor Emmanuel Mirdad lê os poemas Calamidade: Confissão de misantropo, Convivência, Um só, Saidinha, Acordado e Hoje, da parte Enfrascafatos, do livro Nostalgia da lama (Cousa, 2014).



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Vídeo gravado em 02/07/2016, no escritório do autor na Pituba, Salvador, Bahia, Brasil.

Câmera: Sarah Fernandes

Informações sobre o livro aqui

Nostalgia da lama - Superficiacidez - Parte II - Leitura de nove poemas pelo autor

O autor Emmanuel Mirdad lê os poemas Passeio, Presente!, Não valer, Objetividade feminina, Open heart surgery, De novo, Amores inúteis, Sandálias de aço e Solitários, da parte Superficiacidez, do livro Nostalgia da lama (Cousa, 2014).



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Vídeo gravado em 02/07/2016, no escritório do autor na Pituba, Salvador, Bahia, Brasil.

Câmera: Sarah Fernandes

Informações sobre o livro aqui

Nostalgia da lama - Umbiego - Parte II - Leitura de seis poemas pelo autor

O autor Emmanuel Mirdad lê os poemas Cuscuz, Inhame, Sina, Mito, Microtons de sóis e O rangido, da parte Umbiego, do livro Nostalgia da lama (Cousa, 2014).



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Câmera: Sarah Fernandes

Informações sobre o livro aqui

Nostalgia da lama - Micropatetice - Leitura de quinze micropoemas pelo autor

O autor Emmanuel Mirdad lê os micropoemas Evolução, Chaveiro, (In)ferir, Contemporaneidade, Superlotação, Sete, catorze, 21, Calafrio, Heróis do imundo, O caminho regresso, Catedrático, O cinza, Dar-se-á show, Fortaleza discursiva, Temporâneo e 4:17, da parte Micropatetice, do livro Nostalgia da lama (Cousa, 2014).



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Câmera: Sarah Fernandes

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Nostalgia da lama - Enfrascafatos - Parte I - Leitura de cinco poemas pelo autor

O autor Emmanuel Mirdad lê os poemas Pó e Sra., Palmada palerma, Maria Cegueta, Guilhotina silêncio e Fagia, da parte Enfrascafatos, do livro Nostalgia da lama (Cousa, 2014).



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Câmera: Sarah Fernandes

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Nostalgia da lama - Umbiego - Parte I - Leitura de seis poemas pelo autor

O autor Emmanuel Mirdad lê os poemas Intervalo, Espiando os velhos, Depende, Espreita, Hiato e Gado bom é no meu prato, da parte Umbiego, do livro Nostalgia da lama (Cousa, 2014).



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Vídeo gravado em 02/07/2016, no escritório do autor na Pituba, Salvador, Bahia, Brasil.

Câmera: Sarah Fernandes

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Nostalgia da lama - Superficiacidez - Parte I - Leitura de sete poemas pelo autor

O autor Emmanuel Mirdad lê os poemas Possuído, Pertença, Prato-feito, Fora da bolha: Crise!, Conforto?, Conveniência e Atento, da parte Superficiacidez, do livro Nostalgia da lama (Cousa, 2014).



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Vídeo gravado em 02/07/2016, no escritório do autor na Pituba, Salvador, Bahia, Brasil.

Câmera: Sarah Fernandes

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Os 30 mais do meu acervo de MP3

Fotos: Internet

Dezembro passado, comecei a digitalizar a minha coleção de CDs. Depois, fui organizando, aos poucos, o acervo de MP3. Pois ontem, terminei.

Em julho de 2016, tenho 7411 faixas, 629 álbuns, 309 artistas/bandas, em 38,12 GB de música.

Do acervo, considero que 30 são os mais especiais. Me formaram como artista, profissional, homem. Sem eles, eu não me reconheço.

1) Bob Marley & The Wailers
2) Pink Floyd
3) Radiohead
4) Legião Urbana
5) Sigur Rós

6) Dire Straits
7) Black Sabbath
8) Led Zeppelin
9) Creedence Clearwater Revival
10) Counting Crows

11) The Cranberries
12) The Wallflowers
13) The Swell Season
14) Placebo
15) U2

16) Jimi Hendrix
17) Burning Spear
18) Alpha Blondy
19) Peter Tosh
20) Edson Gomes

21) BB King
22) Muddy Waters
23) Flávio José
24) Santanna o Cantador
25) Coldplay

26) Zé Ramalho
27) Belchior
28) Fiona Apple
29) Audioslave
30) Gipsy Kings

Nostalgia da lama - (P)arte - Leitura de um poema pelo autor

O autor Emmanuel Mirdad lê o poema À vista, do livro Nostalgia da lama (Cousa, 2014).



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Vídeo gravado em 02/07/2016, no escritório do autor na Pituba, Salvador, Bahia, Brasil.

Câmera: Sarah Fernandes

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Cinco poemas e três passagens de Silvério Duque no livro Do coração dos malditos

Silvério Duque (foto daqui)

Nicolae Steinhardt
Silvério Duque

                                                        ao amigo, Elpídio Mário Dantas Fonseca

– Se existo é porque a carne não tem nome
e onde o amor se desfez a alma procura
a vontade de amar que ainda perdura
como perdura a morte e a sua fome.

Pela boca do tempo tudo some
mas se torna a viver é que a mais pura
vontade de existir revela e apura
o que a própria razão de ser consome.

Do assombro e do desejo em vão renasço
com o mesmo coração profundo e inquieto
se com Deus não me unir em estreito laço

como se une o silêncio a todo inverno
como se une a razão a nobre gesto
pois tudo o que é fugaz vive do Eterno.


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Sobre o grito de Munch
Silvério Duque

                                                      ao poeta e amigo, Patrice de Moraes

– Nas tardes mortas, eu perdi meu nome
e em cada uma delas morri um pouco
pois nada cabe a mim que achar-me um louco
que vive de comer a própria fome.

Esta visão de mim que me consome
dói…

Treze poemas da antologia Cantares de Arrumação - Panorama da nova poesia de Feira de Santana e região

Organizada por Silvério Duque

Inverso
Anne Cerqueira

É preciso coragem
alguns me dizem
quando a tarde chega
e a água turva.

Cega e atônita
eu sei.

As flores
secaram
sob o sol mais rigoroso
e os rios
traçam seu curso
com giz

rápido
célere
o vento
nos arrasta.
Inverso.

Nada corre
nada avança
se não há guerra
também não há conforto

É preciso coragem
sob a mordaça.
Alguém avisa.
(moldura que nos ata
à força)

Eu sei.


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Miudinha
Ribeiro Pedreira (Dão)

                                       a Maria das Graças Ribeiro Pedreira

Mainha é pequena
de tamanho,
mas consegue pegar coisas
no alto.

Minha voz por exemplo
ela sempre bota no bolso.


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Direito prescrito
Herculano Neto

nasci
com defeito de fábrica
defeito na alma

minha mãe não notou
meu pai não notou
ninguém notou

só perceberam
quando achei de me remendar
me colar
me parafusar

aí já era tarde


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Uma outra história
Ronald Freitas

Na curva daquela estrada
a escuridão não veio.

(na curva, o dia era apenas sol)

Pena que não passamos …