Pular para o conteúdo principal

Postagens

Música para Escrever #11 — Do Make Say Think, KAUAN, Glories, I/O e Afformance

Das teimosas e persistentes ilusões (e ainda e ainda fazer dizer pensar outras verdades): você, você é uma história na ferrugem, um langor, um sopro de vento. Não há quietude em colocar a besta para fora da mente. Qualquer um, em qualquer lugar, sente saudade e a afeição de música para filme imaginário, número 1, através dos muros. Confira o post #11 da série Música para Escrever, com os melhores sons de post-rock, a alumiar a mente e transcender em palavras.

Do Make Say Think Canadá | Desde 1995 Bandcamp aqui Facebook aqui Foto daqui
Melhor disco para escrever
"Stubborn Persistent Illusions" (2017) Ouça aqui
Para continuar escrevendo
"& Yet & Yet" (2002) Ouça aqui
"Do Make Say Think" (1999) Ouça aqui
"Other Truths" (2009) Ouça aqui
"You, You're a History in Rust" (2007) Ouça aqui
-----------
KAUAN Rússia | Desde 2005 Bandcamp aqui Site aqui Foto daqui
Melhor disco para escrever
"Kaiho" (2017) Ouça aqui
Para continuar …
Postagens recentes

Sete passagens de Lev Tolstói no romance Khadji-Murát

Lev Tolstói - Foto daqui

“O chafariz estava emporcalhado, provavelmente deixado assim a propósito, de modo que não se podia apanhar água nele. Igualmente emporcalhada estava a mesquita, e o muezim com os mutalins a estavam limpando. Os velhos, chefes de família, reuniram-se na praça e, de cócoras, discutiam a situação. Ninguém falava sequer do ódio aos russos. O sentimento que experimentavam todos os tchetchenos era mais forte que o ódio. Não odiavam, mas simplesmente não reconheciam aqueles cães russos como gente. Era uma sensação de asco e estupefação ante a crueldade absurda daquelas criaturas, e o desejo de destruí-las, a exemplo do desejo de destruir os ratos, as aranhas venenosas e os lobos, era um sentimento natural como o instinto de conservação.”
“O pequeno tufo consistia em três plantas. Uma delas fora cortada, e o resto de um ramo aparecia como um braço decepado. Em cada uma das outras duas havia uma flor. Essas flores tinham sido vermelhas, mas agora estavam negras. Uma ha…

Lev Tolstói, preciso

Lev Tolstói - Foto daqui
“(...) Apesar de um primeiro momento de raiva, quando eu prometi nunca mais tomar da pena, apesar de tudo, o principal, o predominante sobre todas as outras inclinações e trabalhos, deve ser a literatura. Meu objetivo é a glória literária. O bem que eu posso fazer com os meus livros.”

“Se quisesse dizer com palavras tudo aquilo que eu pretendia expressar com o romance, teria de escrever novamente aquele mesmo romance.”

“Para o historiador, no sentido da contribuição dada pela personagem para algum objetivo único, existem heróis; para o artista, no sentido da correlação daquela personagem com todos os aspectos da existência, não podem e não devem existir heróis, mas devem existir pessoas.”




Lev Tolstói, citado e traduzido por Boris Schnaiderman no ensaio Tolstói: Antiarte e rebeldia (1983), publicado no fim do romance Khadji-Murát, edição da 34 lançada em 2017, páginas 190, 220 e 228, respectivamente.

Rostropovich, o gênio do violoncelo

Foto daqui
Mstislav Leopoldovich Rostropovich (1927-2007) — Мстисла́в Леопо́льдович Ростропо́вич em cirílico —, natural de Baku, capital do Azerbaijão — na época, pertencente à União Soviética —, à beira do Mar Cáspio, exímio e premiado violoncelista, considerado um dos maiores do século XX, notável intérprete — não só de clássicos, como também de compositores contemporâneos, como o russo Dmitri Shostakovich, o francês Henri Dutilleux e o polonês Krzysztof Penderecki —, diretor musical e regente da National Symphony Orchestra, durante os anos de exílio nos EUA — por ter lutado por liberdade de expressão e valores democráticos, um defensor dos direitos humanos, a discordar do regime soviético.

Eu amo a interpretação de Rostropovich das suítes de Bach para violoncelo, numa gravação ao vivo disponível pela Warner Classics chamada Bach: Cello Suites. É sublime demais! Perfeito para escrever, meditar, relaxar, pintar, etc. É muito impressionante a interpretação impecável do mestre russo/aze…

A beleza da voz basso profundo de Vladimir Pavlovich Pasyukov

Vladimir Pavlovich Pasyukov (1944–2011) — Владимир Павлович Пасюков em cirílico —, natural de São Petersburgo, noroeste da Rússia, notável cantor do coro de câmara da sua cidade e um dos solistas mais admiráveis a se apresentar na Catedral de Kazan; um oktavist, capaz de alcançar uma oitava abaixo da parte destinada ao baixo, com a sua impressionante voz de basso profundo, melodiosa e aveludada. Do seu obituário, destaca-se: “He was trule a great man — interesting, very sincere, complex, but wonderful. (…) Pasyukov was complex, a kind of labyrinth. He was a workaholic and worked non-stop: in fact, work was his life.”


Não consegue visualizar o player? Veja no YouTube aqui

Um diálogo, sete anos atrás

A atriz Cécile de France – Foto: Divulgação

— Dentinho separado é o que há! Vi Hereafter sim, foi onde fui “apresentado” à musa acima!

— “Hereafter”... esse povo que só fala título em inglês pra tirar onda sei não...

— Não é título em inglês, é o título original!!!

— Sim, você é originalmente de onde?

— Da barriga de minha mãe. Melhor, do esperma espertão que chegou primeiro no óvulo ansioso pra gerar vida.

— Ah, Mirdad, vai pros States que lá tudo é “original”.

— Só saio daqui se for pra morar na Grécia, numa casa enorme, pra montar uma festa anual de muita xibiatagem a la o último filme de Kubrick.

Uma lição sobre o mercado literário

A pesquisar nos meus e-mails, encontrei esse presente de resposta acima (coincidentemente enviada no dia do meu aniversário em 2013, mas quem enviou não sabia disso), uma grande lição. Havia enviado a então parte inicial do meu primeiro romance para sondar interesse, e tive esse feedback incrível, que resume muito bem o mercado literário (destaco que os elogios da primeira frase foi por hipocrisia social, pois havia interesses da empresa no evento Flica):

“Sobre seu romance, queria te dizer o seguinte: ele é ótimo, a parte que vc me enviou está super bem escrita, fluente, tenho certeza que será um livro muito gostoso de ler. O que acontece é que é muito difícil, infelizmente, que o conselho editorial (...) aprove a publicação de livro de um autor estreante. Eu argumentei bastante, falei na sua participação como organizador de eventos, etc., mas não adiantou. É preciso que vc já tenha alguma estrada na literatura ou que apareça muito na mídia, incluindo redes sociais, para que possa v…