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Reflexões do personagem escritor Daniel Mantovani, no filme El Ciudadano Ilustre

No longa argentino El Ciudadano Ilustre (2016), de Gastón Duprat e Mariano Cohn, traduzido como O Cidadão Ilustre no Brasil, o personagem Daniel Mantovani (magistralmente interpretado por Oscar Martínez), escritor laureado com o Prêmio Nobel, traz reflexões muito importantes. Segue abaixo uma seleta das melhores desse excelente roteiro de Andrés Duprat.

"A melhor política cultural é não ter nenhuma. Defender a nossa cultura? Sempre consideram a cultura como débil, como algo frágil, raquítico, que deve ser custeado, protegido, promovido e subsidiado. A cultura é indestrutível, capaz de sobreviver às piores hecatombes. Havia uma tribo selvagem na África, em que na sua linguagem não existia a palavra 'liberdade', sabem por quê? Porque eram livres. Creio que a palavra 'cultura' sai sempre da boca da gente mais ignorante, estúpida e mais perigosa. Eu, pessoalmente, não a uso nunca."

"Ramiro, me pareceram muito bons os seus contos. (...) Você tem um estilo de…
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Poema de Ruy Espinheira Filho em homenagem a Sonia Coutinho

A que partiu há pouco
Ruy Espinheira Filho

                                                       a Sonia Coutinho, in memoriam
A que partiu há pouco
há muito vinha partindo
com os amigos mortos
os pais mortos
o irmão morto
os namorados e maridos que começavam a morrer
os livros que lera e escrevera
morrendo nas estantes
(que estalavam no meio da noite
  suspirando em suas mais lentas
  mortes)
com sonhos mortos
e lembranças da juventude há muito morta
lembranças
principalmente de Paris
à qual planejava voltar em breve.

A que partiu há pouco
há muito procurava
de certa maneira inconsciente
o que pudesse fazer para enganar
ao menos em parte
o que se adensava com tantas mortes.

Continuava ela a respirar
a se mover
a tecer alguns sonhos
e olhava a vida e pouco a reconhecia
nada mais tinha a ver com as pessoas
as ruas
e então voava de regresso à cidade antiga
mas descobria logo que ela estava também cheia de mortos
mesmo alguns que continuavam
respirando e se movendo
porque já não passavam d…

Um desprezo absoluto às vaidades estúpidas do mundo — 80 contos de Anton Pavlovitch Tchekhov

Se eu fosse fazer uma edição com os contos do grande mestre Anton Tchekhov, assim seria (optaria como tradutor Rubens Figueiredo):

Um desprezo absoluto às vaidades estúpidas do mundo
80 contos de Anton Pavlovitch Tchekhov
Seleção: Emmanuel Mirdad

01) Enfermaria nº 6 | Палата № 6
02) Inimigos | Враги
03) A aposta | Пари
04) Um homem extraordinário | Необыкновенный
05) Uma história enfadonha | Скучная история
06) Vanka | Ванька
07) O assassinato | Убийство
08) A irrequieta | Попрыгунья
09) O homem no estojo | Человек в футляре
10) O vingador | Мститель
11) “Amorzinho” | Душечка
12) Os mujiques | Мужики
13) Sem título | Без заглавия
14) O bilhete de loteria | Выигрышный билет
15) Uma crise | Припадок
16) Ilegalidade ou Libertinagem | Беззаконие
17) Um homem conhecido | Знакомый мужчина
18) História desagradável | Неприятная история
19) Senhoras | Дамы
20) A obra de arte | Произведение искусства
21) O sapateiro e a força maligna | Сапожник и нечистая сила
22) O violino de Rothschild | Скри…

Tom Correia, o novo curador da Flica 2017

- Foto: Rosana Souza
Flica anuncia novo curador para a edição 2017

A 7ª edição da Festa Literária Internacional de Cachoeira já tem seu curador. O escritor e jornalista Tom Correia assume este ano a função que foi ocupada em 2016 por Emmanuel Mirdad, um dos idealizadores e coordenador geral da Flica. Já a Fliquinha, a programação infantil de sucesso da Flica, permanece pelo 5º ano consecutivo com a curadoria de Lilia Gramacho e Mira Silva.

Autor de quatro livros individuais de contos e com participação em várias coletâneas, Tom iniciou sua trajetória ao vencer o Prêmio Braskem de Literatura com “Memorial dos medíocres”. Com inúmeros trabalhos em jornalismo literário, a exemplo da grande reportagem “Vidas suspensas”, sobre pessoas desaparecidas em Salvador, a sua relação com a Flica surgiu desde a 1ª edição. Em 2013, ele foi um dos autores convidados e, no ano seguinte, foi mediador da mesa com a escritora baiana Mariana Paiva e o português Gonçalo M. Tavares. “Ter feito parte da festa …

Flica 2011 a 2016 - Todos os autores e mediadores

Em seis edições da Flica, Festa Literária Internacional de Cachoeira, de 2011 e 2016, foram 152 atrações e 31 mediações nas mesas literárias das programação principal do evento, uma realização da Cali - Cachoeira Literária e Icontent.


25 internacionais
• Pepetela (Angola, 2013)
• Gonçalo M. Tavares (Portugal, 2014)
• José Eduardo Agualusa (Angola, 2012)
• Sapphire (EUA, 2015)
• Matéi Visniec (Romênia, 2014)
• Meg Cabot (EUA, 2015)
• Ondjaki (Angola, 2014)
• Inês Pedrosa (página oficial) (Portugal, 2012)
• Uzodinma Iweala (EUA/Nigéria, 2012)
• Javier Moro (Espanha, 2012)
• Juan Gabriel Vásquez (Colômbia, 2016)
• João Pereira Coutinho (Portugal, 2011)
• Sylvia Day (EUA, 2013)
• Helon Habila (Nigéria, 2015)
• Kiera Cass (EUA, 2013)
• Pedro Mexia (Portugal, 2011)
• Kabengele Munanga (Congo, 2016)
• Germano Almeida (Cabo Verde, 2011)
• Jean-Claude Kaufmann (França, 2013)
• Ewan Morrison (Escócia, 2013)
• Bob Stein (EUA, 2011)
• Leonidas Donskis (Lituânia, 2014)
• Mariana Trigo Pereira (Por…

Seleta dos melhores títulos para livros concorrentes ao Prêmio Oceanos 2017

Foi divulgada a lista dos 1.215 livros que estão inscritos para concorrer ao Prêmio Oceanos em 2017 (veja a lista aqui). Dei uma olhada e selecionei os 43 melhores títulos para livros entre os concorrentes (pra mim, é fundamental ter um bom nome para a obra). Foram eles:

- Vou comer brilhantes para ver se quebro um dente (Paula Cohen)

- Receita para se fazer um monstro (Mário Rodrigues)

- Simpatia pelo demônio (Bernardo Carvalho)

- Idioma de um só (Ricardo Koch Kroeff)

- O latim das moscas (Rodrigo Madeira)

- Teoria geral do desassossego (Guilherme Antunes)

- A solidão mais funda (Ângela Vilma)

- Tentativas de capturar o ar (Flávio Izhaki)

- Perto do coração o mar se levanta (Conceição Bastos)

- Na eternidade sempre é domingo (Santiago Santos)

- Os cactos não voltam pra casa (Ricardo Thadeu)

- É preciso dançar na língua dos predadores (Ana Beatriz Rangel)

- Os homens que os pássaros comem (Francisco Sousa Vieira)

- Os peixes são tristes nas fotografias (Otávio Campos)

- Para ler enqu…

Fotos do lançamento do livro Mestre Dedé – O andarilho da ilusão

Na quinta passada, 18 de maio, rolou o lançamento do livro póstumo de meu pai Ildegardo Rosa, Mestre Dedé – O andarilho da ilusão, na Confraria do França, no Rio Vermelho, Salvador, Bahia. Recitamos alguns dos seus poemas, celebramos e compartilhamos momentos especiais da sua história. Minha mãe, Martha Anísia, autografou os livros, e ficou muito feliz com a empreitada de publicar o seu grande amor.

Agradeço a presença das tias, primas, primos, parentes e amigos de minha mãe (e do meu pai também!), dos amigos escritores Tom Correia, Mônica Menezes, Carlos Barbosa e Lilia Gramacho, e especialmente ao poeta Zecalu Elpídio, que veio de Feira de Santana, à noite, com chuva, só para prestigiar o trabalho poético do meu velho. Agradeço também, com muito amor, à querida Sarah Fernandes, que fez os registros fotográficos, e à irmã querida Kátia Moema, que veio de Ilhéus só para o lançamento. Agradeço ao França por ceder o espaço, a Adriano Pessôa e Jorge Barreto pela produção do evento, a Gu…