sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Orange Poem - Letras traduzidas para o português

Orange Poem (imagem: Glauber Guimarães)


Segue abaixo a tradução para português das letras das músicas do álbum virtual duplo “Hybrid” (2014), da banda baiana The Orange Poem. Os poemas são quase todos de autoria de Emmanuel Mirdad, exceto um, que é a reunião de catorze fragmentos de poemas de Ildegardo Rosa, morto em 2011, pai de Mirdad, que foi gravado em português mesmo e não precisou de tradução. Mirdad agradece à cantora e professora de inglês Ana Gilli, que corrigiu as imperfeições existentes.




Cortes
Tradução para Cuts
(Emmanuel Mirdad)

Nós precisamos tanto de carinho, tão importante como oxigênio, tão raro como um abraço sincero, tão caro nestes dias de egoísmo.

Nós afastamos as pessoas ignorando a amizade, atraímos somente por negócio, criamos condições absurdas para o desejo, enquanto tentamos felicidade com coisas de plástico.

O lar se tornou refúgio, cela, e a privacidade é exposta como prêmio. Dia após dia nos restringimos a criar ídolos, o destino que foi lentamente confundido.

Acuado, angustiado, inseguro, inseguro. Ser humano perdido, é tão fácil o suicídio. Mas o medo ainda sobrevive e traz a vida ao encontrar o corte.




Último Voo 
Tradução para Last Fly
(Emmanuel Mirdad)

Eu conheci o chão perdido; conversei à noite com a pequena triste criança.

Eu conheci o caminho 69; caminhei no céu com os olhos brilhantes, meu voo secreto.

Triste criança. Último voo. Choro perdido. Último voo.

Eu conheci os irmãos e almas; chorei por nós, por minha entorpecida, entorpecida mente.

Eu conheci o amor submundo; menti para mim mesmo quando quis escapar em um último voo.

Triste criança. Último voo. Choro perdido. Último voo.




Vastidão
Tradução para Wideness
(Emmanuel Mirdad)

Nesta vastidão de elementos, sou cirurgião em chamas, reivindicado a materializar seu corpo em nome sagrado da terra, água e ar.

Nesta vastidão de marionetes, sou cirurgião com notícias, reivindicado a libertar sua alma em um louco assassinato de seus desejos.

E agora há apenas buracos negros na sua mente.

Nesta vastidão de firmamentos, sou cirurgião em tirania, reivindicado a purificar seu corpo em nome sagrado do Messias ou glória.

Nesta vastidão de palavras, sou cirurgião em um poema laranja, reivindicado a imortalizar nossa humanidade na música e ilusão.

E agora há apenas buracos brancos na sua mente.




Melissa
Tradução para Melissa
(Emmanuel Mirdad)

Noite. Ela não está dormindo, porque sente o silêncio gritando sonhos ruins; e suas drogas não mentem como seus amigos. Ao menos aquelas mentiras ajudam a dormir como uma idiota, já que as suas drogas sempre trazem velhas memórias de fracasso.

Melissa chorou. Era tão muda a sua vida. Ela não tinha orgulho. Ficava triste toda noite.

Dia. Ela observa sua vizinha e se curva à sua magnífica felicidade. Tão ingênua, deixou que aquela cena fosse tudo o que nunca compreendeu. Agora ela era um pedaço de um complicado quebra-cabeça; ou seria destruída, já que a esquizofrenia é letal, ou sua vida tornar-se-ia uma desconhecida gravidez de si mesma.

Melissa tentou modificar sua vida. Sentiu que havia uma criança. Ela estava grávida de si mesma. Grávida de si mesma.

Ela está grávida, grávida. Sem leite, sem uma criança, sem pai, sem família. Ela só quer nascer de novo. Através de outra chance, ela será mais feliz. Mais feliz.




A Inquietude
Tradução para The Unquietness
(Emmanuel Mirdad)

Um vasto campo acolhe meus sonhos. Acordei muito cedo e estou impressionado com a manhã tranquila que diverte os pássaros, com tanta beleza que aprisionou meus demônios. Estou adormecido sem ter sequer fechado os olhos.

Um vasto campo amplia meus sonhos. Esqueci-me de dar adeus e fiquei mais feliz com isso. Fechei as portas para pular pelas janelas. Como criança percebo e como jovem confundo, e o bom senso conforta como se fosse mãe.

Onde estão os desafios senão em nós mesmos? Onde está a liberdade senão no segredo de dentro? Quando foi a última vez que estive em paz?




Chuva
Tradução para Rain
(Emmanuel Mirdad)

Eu sempre amei quem nunca me amou. Eles/elas sempre foram embora.

Eu nunca confiei em alguém e em minha própria família. Eu sou tão estranho.

Sou sozinho neste mundo, sozinho sem tristeza. Aqui eu posso ser um homem verdadeiro.

Meu Deus sempre foi um lugar sagrado e perdido. Eu odeio quem explica o paraíso.

Minha diversão é ouvir as sombras. O cachorro invisível brinca com meus sonhos.
“Eu não tenho um telefone...”.

Sou sozinho neste mundo, sozinho sem tristeza. Aqui eu posso ser um homem verdadeiro.

Comida e dinheiro são inúteis. Minha música alimenta a minha solidão.
Em breve eu desapareço.
Desapareço.




8/8/88
Tradução para 8/8/88
(Emmanuel Mirdad)

Faça todo sexo que teu fôlego aguentar. Não é permitido ser imoral, mas é bom destruir o proibido. Ser perigoso é divertido e ferir a ética é fama. As pessoas debaixo de suas máscaras realmente gostam disso; todos queriam entupir suas veias ao menos num dia de fúria.

A morte é a próxima porta ao lado do quarto e você se afoga em demandas, acha-se imperfeito. Que se danem os comentários, a moral e a lógica! O medo é ser fantoche da satisfação de tolos. Quem neste mundo de erros está livre de aceitar defeitos?

Como eu queria ser o senhor dos relógios, controlar o tempo e fazer dele vida, não morte. Felicidade sem consequência, sexo e vinho, um envelhecer de descobertas mundanas sem punição, transformando a vida em sopro e a morte em silêncio, apenas. Oh, a canção do jovem poeta!




Correspondências Perdidas
Tradução para Lost Mails
(Emmanuel Mirdad)

Acordar e pensar em nada, há muito que perder o dia todo, agradecer como um robô, concordar com o programa dominante. Reconheço a fragilidade, meus automáticos de sempre.

A melhor criação do seu domínio. Todo o ar que me habita e foge cheira a náusea; são as flores no caminho a dissolver pedaços da prisão. Um furacão vasculha as opções e me traz o sono em forma de neve. Lamento apenas pelo cinza acima de minha fuga partida

Poesias rondam a atmosfera; é Dali a torcer os ponteiros. Correspondências perdidas retornam da Espanha a modelar os sonhos. Na minha loucura eu beijei uns sapos, calei os críticos com conto de fadas. Clarice tossiu e eu vi o mar: o suicídio abstrato.

Enlouqueço a bomba-relógio e o insensato é a fantasia do herói. Tudo o que é escondido tem um triste fim. A águia sobrevoa as ruínas e a areia lhe traz sede. Só há lama no oásis da liberdade.




Nuvens, Sonhos
Tradução para Clouds, Dreams
(Emmanuel Mirdad)

Eu preciso de muitas nuvens, não quero interpretar mal o meu horizonte, penso que a monotonia me deixa doente; as nuvens sempre me trazem paz e paraíso.

Oh meu bom pai, poesia, talvez em silêncio, razão dos temores. Piedade, curvarei meu ego. Preciso tentar, não há mais dúvidas. Socorro, estou enlouquecendo!

Ou o pai é o dono dos sonhos, ou o mal é a real vida material. Ou o pai é uma criança brincalhona, velha criança, ou o mal é um grande fracasso.

As nuvens trazem o céu para mim. Eu olho e adivinho as bênçãos dos antigos. Todos estão na borda da nuvem mais frondosa; pedem para que eu guarde as asas em palavras.

Oh meu bom pai, poesia, talvez em silêncio, razão dos temores. Piedade, curvarei meu ego. Preciso tentar, não há mais dúvidas. Socorro, estou enlouquecendo!

Ou o pai é o dono dos sonhos, ou o mal é a real vida material. Ou o pai é uma criança brincalhona, velha criança, ou o mal é um grande fracasso.




Homenagem
Tradução para Homage
(Emmanuel Mirdad)

Estrelas caem pelos latidos covardes de cachorros. A noite cai ao meio-dia para quem flutua no céu. O nível cai quando sobe o preço da dignidade. Cinzas caem sobre cabeças de baixo nível.

As razões caem da fumaça dos discos de Marley. Dentes caem ao escalar a torre das amputações. O preço da salvação cai ao se proliferarem caricaturas de Cristo. Petecas caem do alto da fogueira das vaidades.

Cachorros sobem à fama para derrubarem estrelas. O céu sobe às veias pelas agulhas de quem só conhece a noite. Preços sobem quando o nível de competência está alto. O nível sobe quando o cabelo se torna cinza.

Discos sobem na Billboard devastando o juízo musical. A torre sobe enquanto dentes destroçam lixo na esquina. Jesus Cristo subiu e sumiu; o preço da Matrix de Deus. A fogueira sobe, incendiando-nos, petecas da existência, homenagem.




O Andarilho da Ilusão
Tradução para Illusion’s Wanderer
(Ildegardo Rosa)

Para que direção corre o curso da vida? Para cima, para baixo, para um lado, para o outro, para frente ou para trás? Ou corre para lugar nenhum? Então, observe apenas, não interrompa e nem interfira. Deixe-o simplesmente correr, não importa para onde. O que importa é estar nele, é ser ele mesmo, pois esse é o nosso destino, a nossa eterna condição. Não te arremesses no amanhã, no que desejas vir a ser, nem te agarres no passado, no que já foi e não voltará; são meras fugas e ilusões. O que tu tens de concreto e não importa o que te aconteças é este instante; não tentes escapar dele, viva-o com plenitude e coragem. Esgote-o! Ele é a tua única realidade, mesmo que nada seja real.

Por que se agarrar à vida? Agarrar-se à vida é perdê-la. A vida é um processo. É um fluxo eterno. É um estar indo, não importa para onde, mesmo se for para lugar nenhum. Vá com a vida. Deixa de olhar para o teu umbigo como se fosse o centro do mundo. O teu destino pessoal não tens a mínima importância, pois tu és apenas um fenômeno passageiro e ilusório, uma emanação do que és, sempre foste, e sempre serás: a eterna existência. Desperta, homem! Aí então saberás que esta eternidade és tu mesmo e tudo mais que existe. Não penses que o mundo gira em torno de ti! Quão pequenina e fugaz é a tua megalomania dentro da Natureza. Enquanto estiveres cheio das tuas coisas, tesouros, paixões, posses, desejos, sofrimentos, deuses e ilusões, enfim, do teu próprio ego que carregas em vão, tu estarás no NADA, no sem sentido, na ilusão.

Corri como um louco em busca da felicidade e trouxe apenas as mãos vazias pendentes de ilusões. Caminhei então, devagar, em busca do meu próprio destino e hoje trago as mãos cheias carregadas de vida. Me aconteci, me manifestei, me existi. Sou um ser que está fora. Para fora estão os meus olhos que percebem as ilusões do mundo. De fora entra o ar que respiro e mantém o meu alento. Lá fora é que estão o céu e o inferno, os santos e os demônios, os que me envolvem de amor e os que me sufocam de tanto ódio. Como então posso retornar para dentro? Desde o princípio que nunca principiou, pois sempre foi, é e será, eu sou. Não há caminho a se percorrer, algum Deus a se buscar ou iluminação a se alcançar. Tudo já está pronto como sempre esteve. Apenas abra os olhos porque então o desmistério acontece, se revela o que era irrevelado, face à minha ignorância, minhas perdições, meus pecados, minhas ilusões! Desde o princípio eu sou.

Porque não existe nem o dentro, nem o fora, apenas o ser aqui e agora. De que estão se busca sentido? Eu venho de lugar nenhum e vou para nenhum lugar.

Agora deixarei o mistério acontecer por si mesmo e se auto desvelar a cada instante por toda a eternidade. Agora relaxarei profundamente e cessarei essa tentativa ansiosa, desesperada e sofrida de querer desvelar o mistério e tudo ser em vão. Agora viverei a vida que está presente e que a cada instante acontece e desacontece, não importando seu destino e sua razão de ser.

Não olhes para o alto em busca de soluções porque o alto é apenas uma distância vazia e inexpressiva. Não olhes para a esquerda ou para a direita porque são apenas posições relativas. Não olhes para trás, pois apenas entortarás a cabeça em busca de um passado que não retorna jamais. Não olhes para frente, pois seguirás em vão tua estrada sem rumo e sem destino que te conduzirás à morte. Olhe então para dentro de ti, pois ai estará a solução. De que? Só tu saberás!

Eu sei (ou quase sei) que estou lá ou aqui – pouco importa. O mundo é uma ilusão.

Música de Emmanuel Mirdad




Faca da Criança
Tradução para Child’s Knife
(Emmanuel Mirdad)

Meu sol é laranja, duas faces similares, o nascer e o pôr-do-sol, a vida e a morte...

A criança modifica o sol, o céu de muitos lados; em cada raio existe um amigo, espíritos confusos, necessidades perdidas...

Uma faca em sua mão, talvez queira cortar seu elo e espírito incerto. Eu me vejo em seus olhos, vejo que a morte manipula a vida e eles querem conversar com a criança, é uma conversa animada entre velhos amigos. A criança nunca mentiu, o elo é muito frágil. Seus amigos querem viver através da inocente criança. Estranho mistério, estranho mistério aquela faca da criança...

Meu poema é laranja, não posso terminá-lo, não posso morrer hoje, eu verei tudo para sempre. As brincadeiras são as questões, a criança responde com sonhos, alguns mundos são tão desconhecidos, quem entenderá a dança de Deus?

O sol ilumina todos os lados, a luz laranja é o único caminho, à noite a conversa é perigosa, sombria. De qualquer forma a criança está armada...

Talvez queira cortar o elo, talvez queira cortar sua própria garganta, mistério estranho, mistério estranho, aquela faca da criança...




Nem Deuses, Nem Demônios
Tradução para Neither Gods, Nor Devils
(Emmanuel Mirdad)

Eu peço canções em vez de discursos, irmãos sem inimigos, sexo com devoção. Vamos matar todos os ícones e soterrar seu legado, as máscaras para as festas, as faces para os espelhos.

Eu peço orgulho a qualquer verso escrito, extermine a influência, seja você mesmo. Não há evolução, não acredite em prêmios. O gigante é o silencioso ser para si

Eu peço que a ilusão seja tão fatal. Qualquer mundo existe, o problema é liberdade. Retalhos de tecido surrado, é impossível costurá-los, mas não é preciso esmagar ninguém que esteja tão distante do credo que é cego e seu.




Canção Adeus
Tradução para Farewell Song
(Emmanuel Mirdad)

Olhe para os lados, todos estão chorando, há tanta dor. Todos estão dizendo adeus, partindo para longe de seus pais, amigos, queridos e crianças.

A terra ou o fogo querem as lembranças da carne. E se você chora e abandona a rotina é porque não respeita a vontade dos mortos em querer que viva os segundos como anos, já que tudo que pulsa é tesouro e os restos dos mortos estão cheios de adeus.

Seu pai lhe quer erguido e sábio. Sua mãe pede amor aos que repousam. Seus amigos sorriem nos retratos felizes das lembranças que não passam, mas se tornam uma nova chance nesta vida.




Um e Três
Tradução para One and Three
(Emmanuel Mirdad)

Hoje eu vi um retrato nos olhos do universo, era púrpuro, vermelho, cores assim, parecia com os rabiscos do meu caderno de versos...

Algo como uma dança indiana, fumaça da Jamaica, pedaços do passado, um e três pensamentos, escultura em adeus... Adeus... Adeus...

Uma colherada de espinhos, melodia esquisita num cristal, paranoia sem sexo. Eu não posso explicar, eu não posso explicar, eu não posso explicar. Um e três perdidos, um e três perdidos, um e três perdidos...

Hoje eu vi um verso nos dedos do universo, era árabe, chinês, palavras assim, parecia com as manchas do meu álbum de notas...
Algo como uma canção celta, demônios da Tasmânia, uma chuva de Baltimore...
Poesias em conflito nas orações dos retratos, teus sussurros cantando a partitura de renda...
Um e três argumentos, sinfonia numa tempestade, cantada por almas de três pequenos abrigos...
Um só, um, apenas... Um só, um, apenas... Um e três, um e três e eu, uísque e um amor furtivo...

Música de Fábio Vilas-Boas e Emmanuel Mirdad




Brilhante
Tradução para Shining
(Emmanuel Mirdad)

Às vezes eu me sinto tão mudo, um silêncio que arrisca um sentido ao nada. Torno-me só para não respirar. O que enlouquece é a necessidade de estar. Brilhante Relâmpago, vá explodir longe daqui.

Às vezes eu me sinto tão entorpecido, o sistema selvagem, o ser, a vida vasta. Há muito que fazer, mas eu não quero. O problema é que tenho dívidas. Brilhante Relâmpago, é preciso sorrir

Onde está minha mão amputada, a violar misericórdia em páginas?
Onde está o sentido de existir a suicidar os presentes?
Quem irá me trazer as crenças para que então eu as esqueça?
Quem é o ser que apodrece o ser criado por mim?

Às vezes estou negro, as cores que perfuram as mentes, a minha galáxia que perturba meus grilhões; uma pena que seja tão rápido. Brilhante Relâmpago, me faça mentir.

Música de Emmanuel Mirdad, Artur Paranhos, Marcus Zanom, 
Hosano Lima Jr. e Fábio Vilas-Boas




A Abelha Verde
Tradução para The Green Bee
(Emmanuel Mirdad)

Não importa se a dúvida me persegue desde que aprendi o significado de minha existência. Não interessa justificar meus atos, resgatar opções descartadas sobre desejos frustrados. Pro inferno com o arrependimento, estou pronto para desafiar minha prudência e firmeza. A abelha verde.

A armadilha me espera na próxima rua.

Anseio por equilíbrio, mas o caminho está acenando, ainda há espaço, na minha decisão, o covarde. É muito difícil acreditar na segurança do impulso, mas a fé existe para “doutrinizar” o medo. Deus me protege do sangue frio, meus braços já pedem um apoio em vez do avanço. A abelha verde.

A armadilha me espera na próxima rua.




Questão Dúbia
Tradução para Dubious Question
(Emmanuel Mirdad)

O que seria do diamante sem o Syd e os cães sem o estranho em casa?
O que seria do paranoico sem a multidão e o medo sem a vida moderna?

Hey! Dúbias papoulas entrelaçadas.
Hey! Dúbio olhar permanente.

O que seria do mal-assombrado sem o céu de chumbo e a fome sem o desejo e a ambição?
O que seria da escadaria sem as águas geladas subterrâneas e o observador sem a escuridão?

Hey! Dúbia manhã nublada.
Hey! Dúbio verão sem fim.

O que seria do lunático sem o coelho e o preço sem a consciência dos homens orgulhosos?
O que seriam dos labirintos sem os ecos e a noite morna sem os sinos distantes?

Hey! Dúbio Dr. Estranho.
Hey! Dúbio olho da brisa.

O que seria concluído sem a falta e quem seria salvo sem alguém para amá-lo?
Talvez ninguém viria sem alguém ir e às ilusões dúbias o tolo emergir...

Hey! Dúbia questão psicodélica.

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